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Polineuropatias: entenda o que são, quais os sintomas e tratamentos

Cerca de 2% a 8% da população global sofre com as polineuropatias, doenças caracterizadas pela disfunção simultânea de vários nervos periféricos, isto é, que não estão localizados no sistema nervoso central. Geralmente são bilateralmente simétricas e predominantemente distais, atingindo ambos os pés e/ou mãos. Elas diferenciam-se das mononeuropatias e radiculopatias, condições em que apenas um nervo ou feixe é danificado.

Tipos e causas

Polineuropatias podem ser adquiridas ou hereditárias, assim como incapacitantes e degenerativas. Cada tipo de agressão ao sistema nervoso causa uma diferente condição. Algumas das causas adquiridas são deficiência nutricional, toxinas, infecções, doenças autoimunes, uso de medicamentos e abuso de álcool. A causa também poderá determinar se a doença será aguda ou crônica, entretanto, esta última frequentemente tem origem indefinida.

Elas se dividem em três grandes grupos de doenças e causas, classificadas conforme os tipos de fibras nervosas que afetam: motoras, sensoriais e cranianas. Certos fármacos e toxinas também podem atingir as fibras sensitivas, nervosas ou ambas.

Nervos motores: são afetados por doenças autoimunes, porfiria (defeito na produção de enzimas da hemoglobina), atrofias musculares espinhais (AMEs), toxicidade por chumbo, uso de dapsona e picada de carrapato, entre outras. 

Nervos sensitivos (sensoriais): são impactados por doenças como a ganglionite da raiz dorsal do câncer, hanseníase, AIDS, diabetes melito e intoxicação crônica por piridoxina.

Nervos cranianos: são atingidos por polineuropatias desenvolvidas a partir da síndrome de Guillain-Barré, doença de Lyme, diabetes e difteria.

Entre as causas mais comuns estão a diabetes mellitus, hipotireoidismo e a deficiência de vitamina B12, assim como a indução por toxinas ou medicamentos. Já as incomuns incluem doenças como síndrome de Guillain-Barré (polirradiculoneurite aguda), síndrome da cauda equina (SCE), mononeurite múltipla (neuropatia vasculítica) e polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica (CIDP).

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Sinais e sintomas das polineuropatias

Geralmente o quadro clínico é rico e caracterizado por um dos seguintes comportamentos: aparece de forma abrupta, ao longo de dias ou semanas, ou se desenvolve gradativamente, por meses ou anos, até atingir um grau crônico. Por conta da relação entre fisiopatologia e sintomas, as polineuropatias também são classificadas conforme a área atingida: bainha de mielina (membranas que recobrem os axônios facilitando a rápida comunicação entre os neurônios), vasa nervorum (artérias que fornecem sangue ao nervo) e axônio (ramo longo do nervo que envia as mensagens).

Polineuropatias agudas começam em ambas as pernas e avançam, causando sinais e sintomas como fraqueza, formigamento ou perda de sensibilidade, além de insuficiência respiratória (quando afeta os músculos que controlam a respiração). Algumas de suas causas são a síndrome Guillain-Barré, doença de Lyme e as toxinas.

Já as polineuropatias crônicas afetam principalmente a sensibilidade, com início majoritariamente nos pés. Sensação de formigamento, perda de sensibilidade e dor são os principais sintomas. Gradativamente, quando ocorre a perda de de sentido de vibração e posição (onde se encontram os braços e as pernas), também provoca instabilidade, posteriormente fraqueza ou atrofia dos músculos e, por fim, contraturas permanentes. A neuropatia periférica é uma polineuropatia crônica frequente e muito dolorosa, causada por  infecções, traumas, deficiência de vitaminas, abuso de álcool, quimioterapia, diabetes e outras doenças.

No caso das polineuropatias hereditárias, os sinais podem ser leves ou agudos, como dedos dos pés, arcos dos pés ou coluna (escoliose) muito arqueados. Sensibilidade e fraqueza muscular também podem ser sentidas.

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Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico envolve a avaliação clínica e física do paciente, assim como a realização de exames de sangue, urina e de imagem. Além disso, o exame de eletromiografia (ENMG) e estudos de condução nervosa podem auxiliar a confirmar a doença e identificar a causa, assim como determinar a gravidade, tipos de nervos atingidos e extensão dos danos.

Os tratamentos das polineuropatias variam conforme a etiologia, assim como a recuperação completa também depende da causa. Se tem características típicas e causa definida, como a polineuropatia alcoólica, diabética e quimioterápica, o manejo da doença deve ser realizado inicialmente na atenção primária. Mas se os sintomas são atípicos, refratários ou sem origem definida, o médico neurologista é o profissional mais indicado para realizar o tratamento.

Quando não é possível tratar a causa, o manejo da dor e da fraqueza muscular são os passos seguintes. Nestes casos, o controle da dor envolve o uso de medicamentos com ação na lesão nervosa, como amitriptilina, gabapentina e pregabalina. Já a fisioterapia e a terapia ocupacional são especialmente importantes para a qualidade de vida de pessoas com polineuropatia degenerativa, condição em que a fraqueza muscular continua avançando.

Fontes: Manual MSD I Manual MSD I Telessaúde RS I Sarmed I Doenças do Fígado I PedMed I BMJ I Dr. William Rezende

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16 de Setembro de 2021

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