Blog

Novo medicamento contra o câncer de ovário atua na correção do DNA em células doentes

O estudo com a nova droga da classe inibidores de PARP encontra-se em  fase III e foi destaque na ESMO 2016

No Brasil, a prevalência de câncer de ovário é de 6.150 casos por ano (dados INCA/2016). Por ser uma doença de difícil diagnóstico, raramente é descoberta em estágios iniciais. A estreita relação entre o tumores de ovário e mama pela mutação nos genes BRCA 1 e BRCA 2 ganhou destaque no mundo inteiro após a mastectomia bilateral feita pela atriz Angelina Jolie em 2013. É no sentido de corrigir esse tipo de alteração genética, presente numa parcela da população, que um novo medicamento deverá atuar.

Um estudo fase III, divulgado na ESMO 2016 e publicado no New England Jornal of Medicine, sugere que o fármaco conhecido como Niparib age bloqueando mecanismos de conserto do DNA. Quando usado em pessoas que têm câncer relacionado à mutação do BRCA, dois mecanismos de correção dos erros do DNA ficam sem funcionar, um pela mutação do BRCA em si e o outro pelo bloqueio pelo medicamento. O efeito é um acúmulo de erros que causam colapso nas células cancerígenas.

Em mulheres que apresentavam mutação do BRCA, o uso de Niparib aumentou a sobrevida livre de doença, que passou de 6 meses para quase dois anos. Mesmo em pacientes que não tinham a mutação, o novo tratamento aumentou de maneira significativa o controle da neoplasia. A saber, os genes BRCA 1 e BRCA 2 produzem proteínas que previnem o crescimento  descontrolado  das células, protegendo contra o surgimento de tumores de mama, ovário, próstata e pâncreas. Quando ocorrem mutações, eles deixam de funcionar adequadamente e aumentam o risco para o surgimento de um câncer.

No estudo, a nova droga foi testada em pessoas que tinham feito pelo menos dois tratamentos com esquema de quimioterapia com platinas. Encerrado o tratamento convencional, metade das pessoas usava o Niraparib e a outra metade ficava em acompanhamento clínico, sem usar nenhum tipo de medicamento.

O oncologista Mansoor Raza Mirza, principal autor do estudo e chefe do Copenhagen University Hospital, da Dinamarca, declarou: “É um resultado com potencial de mudar a forma de tratar o câncer de ovário recorrente e sensível à platina, independentemente do status BRCA.”

O Niparib é o segundo medicamento da classe inibidores de PARP que se mostrou eficaz em controlar o câncer de ovário. O pioneiro nessa linha foi o medicamento conhecido como Olaparib. A expectativa dos pesquisadores é que esse tipo de tratamento poderá atuar nos pontos fracos dos tumores, podendo prolongar por mais tempo o controle da doença, com poucos efeitos colaterais. Futuramente, o medicamento deverá ser avaliado em outras situações, como pós-cirurgia de câncer de ovário e logo após o primeiro tratamento com platinas.

13 de Abril de 2017

Increva-se na nossa newsletter

Increva-se na nossa newsletter

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Clique em Saiba Mais para acessar nossa Politica de Privacidade. Saiba mais

Confirmar
Solicitar um orçamento