Inibidores de PARP para o tratamento do câncer
Os inibidores de PARP são uma classe de medicamentos que têm se estabelecido como alternativa de tratamento para diferentes necessidades, incluindo câncer de ovário, mama, próstata e pâncreas.
Com atuação semelhante à uma quimioterapia oral, os inibidores PARP (poli [adenosina difosfato-ribose] polimerase) têm a capacidade de reparar o DNA danificado dentro das células. Eles também podem bloquear a vida de reparo dos genes BRCA (BRCA1 e BRCA2), normalmente envolvidos em uma via diferente de reparo do DNA, levando à destruição das células cancerosas.
Até agora existem quatro inibidores de PARP disponíveis no mercado, olaparib, rucaparibe, niraparibe e talazoparib, cada um com indicações e perfis de toxicidades específicos. Embora eventos adversos menos frequentes exijam maior compreensão durante os tratamentos, estudos apontam que parte dos efeitos colaterais desses medicamentos ocorrem apenas nos primeiros ciclos de terapia e podem ser facilmente controlados com suporte clínico e ajuste de dose.
Uma pequena parcela da população têm mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. E quando se trata das mulheres, elas têm um risco aumentado de desenvolver câncer até os 70 anos. A associação entre mutações nesses genes e a predisposição ao câncer de mama e ovário hereditário (HBOC) foi bem estabelecida, fazendo dos inibidores PARP uma importante alternativa de tratamento. No entanto, cabe reforçar que normalmente a desordenação de células é causada por uma associação de fatores, o que diminui bastante o câncer oriundo exclusivamente de mutações genéticas hereditárias.
Quando há mutação BRCA, os inibidores de PARP, que atuam impedindo a multiplicação e eliminando as células cancerosas, podem ser utilizados tanto sozinhos quanto associados a outros medicamentos. No câncer de ovário eles têm sido bastante promissores e entre suas aplicações está o uso após redução do câncer com quimioterapia primária (cisplatina ou carboplatina) ou nos tumores previamente tratados com dois ou três quimioterápicos, entre outros. Olaparibe e rucaparibe ainda podem aumentar o intervalo de tempo sem doença antes de uma possível recidiva ou metástase.
O tratamento do câncer de mama com inibidores de PARP localmente avançado e metastático também vem sendo estabelecido. Há evidências de que o uso de PARP em pessoas com câncer de mama com mutação de linha germinativa BRCA, HER2 localmente avançado ou metastático, pode oferecer melhora na sobrevida livre de progressão, sobrevida geral e taxas de resposta do tumor.
Em 2020 o Food and Drug Administration (FDA) aprovou dois inibidores de PARP (rucaparibe e olaparibe) para o tratamento de câncer de próstata resistente à castração, cada um com indicações específicas. No mesmo ano a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também aprovou o olaparibe para monoterapia no tratamento de manutenção de pacientes adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático com mutação germinativa no gene BRCA, cuja doença não progrediu com quimioterapia em primeira linha baseada em platina.
Há diversos estudos em andamento que avaliam diferentes possibilidades de aplicação dos inibidores de PARP, inclusive o uso concomitante com outras drogas e tratamentos, como a imunoterapia. Os próximos anos prometem importantes avanços terapêuticos para o câncer.
Fontes: A.C. Camargo I Oncologia Brasil I Oncoguia I Oncoguia I MOC Brasil I MOC Brasil I Vital Knowledge I OncoNews I OncoNews I Todos juntos contra o câncer
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