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Dor Oncológica: conceitos, manejos e terapias

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Dor Oncológica: conceitos, manejos e terapias

No biênio 2018-2019, estimou-se a ocorrência de 600 mil casos novos de câncer, para cada ano.

Conceito de Dor

  • A dor foi definida pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) como uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões.
  • A dor é sempre subjetiva e cada indivíduo aprende a utilizar este termo por meio de suas experiências.
  • A definição proposta demonstra a multidimensionalidade da experiência e que tanto aspectos físicos como emocionais devem ser avaliados.

Dor aguda

Uma experiência vivenciada pelo indivíduo, que pode expressar sensação de ameaça física ou emocional, que pode ser decorrência de uma lesão tecidual ou não, com intensidade subjetiva e única. Com duração em média inferior a 3 meses.

Exemplos: cortes, trauma, queda, cirurgias

Inicia-se com uma lesão ou injúria e substâncias algogênicas são sintetizadas no local e liberadas estimulando terminações nervosas (nociceptores) de fibras mielinizadas finas ou amielínicas; sua evolução natural é a remissão.

Dor crônica

Decorrência da ativação de várias vias neuronais de modo prolongado.

Pode ser piorada por fatores ambientais e psicológicos. A dor crônica persiste durante um maior período de tempo do que a dor aguda, e é resistente à maioria dos tratamentos médicos.

Dor Oncológica

É também referida através do conceito de Dor Total, proposto por Saunders, em 1967 (Guimarães, 1999).

Nesta proposição, admite-se que uma pessoa sofre pelas consequências emocionais, sociais e espirituais da exposição à experiência de dor.

O conceito de Dor Total inclui a consideração de:

  • (a) aspectos físicos ? danos teciduais, progressão da doença e/ou reação à radioterapia;
  • (b) aspectos psicológicos ? mudança de humor, afeto, disposição geral, apatia, entre outros;
  • (c) aspectos sociais ? convivência prejudicada com a família e outras pessoas relevantes, isolamento social e desmotivação geral;
  • (d) aspectos espirituais ? variações na relação dos indivíduos com suas crenças, princípios e valores, questionamentos quanto à fé e ao sentido da vida, sentimentos de desamparo e desesperança.

Tipos de Dor

  • Nociceptiva e neuropática;
  • Nociceptiva: Ocorre diretamente por estimulação química ou física de terminações nervosas normais - é resultado de danos teciduais mais comuns e freqüentes nas situações inflamatórias, traumáticas e invasivas, ou isquêmicas. Pode ser dividida em  Somática e Visceral

Somática: tem origem quando os receptores agem sobre os tecidos cutâneos e assim eles são ativados.

Podem apresentar sintomas como inchaço, sangramento e cólicas, dividem-se em dois tipos de dores somáticas, a superficial e a profunda:

Dor somática superficial, quando há lesões nos tecidos superficiais, como por exemplo na pele. É caracterizada por ser bem localizada e nítida.

Dor somática profunda, é quando há lesões nos tecidos músculos esqueléticos, articulações e ligamentos. É reconhecida por ser maçante e bem localizada.

Visceral: ocorre quando os estímulos que vão produzir a sensação de dor provêm das vísceras. Ao contrário da dor somática, a dor visceral é causada quase unicamente por distensão ou estiramento dos órgãos.

Frequentemente associa-se a sensações de náuseas, vômitos, e sudorese. Muitas vezes há dores locais referidas, como por exemplo, em ombro ou mandíbula relacionadas ao coração, em escápula referente a vesícula biliar, e em dorso, referente ao pâncreas. Ex.: câncer de pâncreas, obstrução intestinal, visceral óssea nervosa pós operatória do tratamento (quimioterapia, radioterapia, cirurgia);

Emergência oncológica relacionada a alterações que a doença pode causar no decorrer do tratamento exemplo: úlcera, perfuração, emergência vascular, obstrução intestinal

  • Neuropática; Resulta de alguma injúria a um nervo ou de função nervosa anormal em qualquer ponto ao longo das linhas de transmissão neuronal, dos tecidos mais periféricos ao SNC.

A dor neuropática pode ser episódica, temporária ou crônica, persistente, podendo inclusive não estar associada a qualquer lesão detectável. Esta dor também pode ser conseqüência de algumas doenças degenerativas que levam a compressão ou a lesões das raízes nervosas, ao nível da coluna. Os pacientes descrevem a dor neuropática como "ardente ou penetrante", podendo haver a presença de alodínia (estímulos inócuos em situações normais, mas que nesta situação são percebidos pelo organismo como extremamente dolorosos, muitas vezes o simples "roçar" de um tecido sobre a pele desencadeia dor intensa imediata). Os pacientes queixam-se de dores recorrentes.

Manifesta-se de várias formas, como sensação de queimação, peso, agulhadas, ferroadas ou choques, podendo ou não ser acompanhada de "formigamento" ou "adormecimento" (sensações chamadas de "parestesias") de uma determinada parte do corpo.  São exemplos de dor neuropática a neuralgia do nervo trigêmeo, a neuralgia pós-herpética e a neuropatia periférica, dentre outras.

Barreiras na avaliação da dor

  • Crenças;
  • Medo;
  • Falta de conhecimento na avaliação;
  • Falta  de  conhecimento no manejo;
  • Conceito de vícios sobre opióides;
  • Falta de serviço especializado.

Quando avaliar a dor

A Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade Americana de Dor descrevem a dor como o quinto sinal vital que deve sempre ser registrado ao mesmo tempo e no mesmo ambiente clínico em que também são avaliados os outros sinais vitais, quais sejam: temperatura, pulso, respiração e pressão arterial.

Por ser uma experiência subjetiva, a dor não pode ser objetivamente determinada por instrumentos físicos como a pressão, é uma experiência interna, complexa e pessoal.

Um medida eficaz da dor possibilita os avaliadores examinar de forma mais assertiva e verificar sua natureza, característica emocional, cognitiva e de personalidade do paciente.

Como avaliar?

Identificar a sua etiologia e compreender a experiência sensorial, afetiva, comportamental e cognitiva do indivíduo com dor para propor e implementar o seu manejo.

Não subestimar e nem superestimar a dor, ao invés disso procurar apoio terapêutico, no Brasil existem centros especializados em tratamento da dor. https://sbed.org.br/

Como profissional da saúde, deve-se ter mente que a dor é uma condição que afeta o paciente e familiares, mas como enfrentar?

É preciso propor mudanças no modo de vida, buscando outras formas de manejar o problema e minimizar os danos. Trabalhar corpo mente e espírito.

Conheça a dor

Investigue

Trace metas alternativas para tratamento da dor;

Conhecer a história de vida, identificar as prioridades e necessidades do paciente e junto com as terapias medicamentosas e complementares.

Instrumentos de avaliação da dor, conforme faixa etária.

Na oncologia para melhor entender nosso paciente podemos perguntar:

  • Qual o tratamento está sendo usado?
  • Onde é a dor? Intensidade? Frequência? Qual tipo?
  • Quais os fatores de melhora e piora?
  • Qual a repercussão que a dor acusa?
  • Quais atividades deixa de fazer?

Tipos de escalas para avaliação conforme faixa etária: 

Escala de  PAINAD:

Escala para tratamento da dor:

Realizar o diagnóstico do mecanismo de dor (inflamatório, neuropático, isquêmico, compressivo e  síndrome dolorosa ) facilitará o tratamento lembrando que ele é feito de forma multidisciplinar.

Tão importante quanto avaliar corretamente a dor é fazer a sua reavaliação no tempo correto.

Terapia complementar

Relaxamento;

Estimulação sensorial;

Aromaterapia;

Yoga;

Acupuntura;

Música;

Terapia do toque;

Referências

PIMENTA, Cibele Andrucioli de Mattos. Dor oncológica: bases para avaliação e tratamento. O mundo da Saúde, v. 27, n. 1, p. 98-110, 2003.

OLIVEIRA, B. A. O.; MORAES, M. I. M. Dor no paciente oncológico: revisão de literatura para o médico não-especialista em oncologia. JBM, Rio de Janeiro, v. 82, n. 5, p. 95-102, 2002

ELER, Gabrielle Jacklin; JAQUES, André Estevam. O enfermeiro e as terapias complementares para o alívio da dor. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 10, n. 3, 2008.

Pesquisa e redação por Poliana Rodrigues Silva (Coren 159293)

  • Enfermeira Assistencial do Hospital Moinhos de Vento.
  • Mestranda pelo PPG Patologia UFCSPA.
  • MBA Executivo em Saúde - Escola Decision, FGV (2015)
  • Pós-graduada em Oncologia – Faculdade de Ciências da Saúde Moinhos de Vento (2012)
  • Bacharel em Enfermagem -  Universidade Luterana do Brasil, ULBRA (2007)

Atuações:

Supervisora de estágios de técnicos de enfermagem na Escola Factum. Supervisora de estágio de pós-graduação em enfermagem oncológica na Faculdade de Ciências da Saúde Moinhos de Vento;

Iniciou junto com equipe de enfermagem o Programa Nurse Navigator 2016.

13 de Agosto de 2020

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