Doenças metabólicas comuns e raras: entenda o que são e quais os tipos
Não é à toa que o corpo dos seres vivos pode ser equiparado a uma máquina. Parte fundamental dele é o metabolismo, conjunto de processos químicos que mantêm todas as funções vitais. As inadequações desses processos, como os excessos de substâncias ou alterações em órgãos, chamam-se doenças metabólicas e podem ser genéticas ou adquiridas.
Algumas doenças metabólicas são mais comuns do que pode parecer, tornando-se até mesmo uma epidemia na saúde da modernidade, como é o caso da obesidade. Diabetes mellitus tipo 2, hipertensão e dislipidemia (colesterol e/ou triglicerídeos altos) são algumas das principais doenças metabólicas adquiridas e estão fortemente relacionadas ao estilo de vida do paciente, contribuindo para os altos índices de morte por AVC isquêmico e infarto.
Em alguns casos elas têm um componente hereditário, o que faz com que algumas pessoas tenham predisposição a desenvolver o problema. Contudo, este é um fator modificável porque manter um estilo de vida adequado, com alimentação equilibrada e prática de atividades físicas, está diretamente relacionado à redução da probabilidade de desenvolver a doença.
Outro ponto a ser mencionado é a síndrome metabólica, condição anterior às doenças, na qual o paciente desenvolve problemas como sobrepeso, aumento da pressão arterial, aumento da circunferência abdominal e resistência à insulina. Ela é um grande sinal de alerta que o estilo de vida precisa ser modificado e pode ter de ser associado, ou não, a outros tipos de tratamentos.
Também conhecidas como erros inatos do metabolismo (EIM), as doenças metabólicas raras têm origem genética. São centenas de tipos diferentes, muitas vezes com sintomas bastante variados, o que pode representar um desafio na busca pelo diagnóstico e tratamento correto.
Muitas doenças metabólicas raras são identificadas no momento do nascimento ou com a realização do teste do pezinho, obrigatório em todo o território nacional. No entanto, há doenças mais complexas, que nem mesmo o teste do pezinho ampliado é capaz de detectar de forma precoce. Nestes casos, são realizados outros exames a partir da identificação dos sintomas até a conclusão do diagnóstico. Confira abaixo algumas doenças do grupo:
Cistinose: caracteriza-se pelo acúmulo do aminoácido cistina no organismo. A cistina não se dissolve com a água, formando cristais que comprometem o funcionamento de órgãos como rins e olhos. A doença subdivide-se em três tipos: cistinose nefropática (dos rins) infantil, cistinose nefropática juvenil e cistinose não-nefropática, este último mais comum em adultos. O tratamento costuma ser medicamentoso e em casos mais graves, o transplante renal pode ser indicado.
Fenilcetonúria (FNC): caracteriza-se pela dificuldade do organismo em metabolizar o aminoácido fenilalanina, presente em derivados de proteína animal (como leite, carnes, ovos) e também em proteínas vegetais (como feijão, lentilha e grão-de-bico). É capaz de alterar o desenvolvimento motor e intelectual. Seu tratamento consiste em dieta restritiva de proteínas e/ou consumo de fórmula especial.
Mucopolissacaridoses (MPS): são doenças que afetam a produção de enzimas, proteínas fundamentais para o bom funcionamento do organismo. Até o momento foram identificados sete tipos de mucopolissacaridoses. Os tratamentos variam conforme o tipo e os sintomas apresentados, podendo incluir a administração de Terapia de Reposição Enzimática (TRE), por meio de infusão intravenosa feita semanalmente, e até mesmo o transplante de medula óssea nas formas mais graves.
Síndrome de Leigh: também chamada de encefalomiopatia mitocondrial, é uma doença neurometabólica caracterizada pela perda progressiva da capacidade cognitiva e de movimento. Isso acontece porque o sistema nervoso central impede que as células produzam energia para o desenvolvimento, causando o seu acúmulo, seguido de deterioramento e consequente morte das mesmas. A síndrome não tem cura, mas os sintomas podem ser controlados com medicamentos e fisioterapia.
Tirosinemia: caracteriza-se pela dificuldade em metabolizar completamente o aminoácido da tirosina, levando ao acúmulo dos subprodutos no organismo. Subdivide-se em três tipos, sendo dois deles mais comuns. Cada qual tem seus sintomas, que vão de insuficiência hepática a deficiência intelectual, mas o tratamento sempre demanda a restrição da tirosina e fenilalanina na dieta. No Tipo I, o mais comum, também pode envolver o uso do medicamento importado nitisinona (NTBC) e/ou transplante de fígado.
Este texto tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento médico, geral ou especializado. Manter consultas e exames em dia é uma das principais formas de manutenção da saúde e da qualidade de vida.
Fontes: Sbem I MSR I MSR I MSR I Msd Manuals I Msd Manuals I HAS I HMD I Papo de Mãe I Bvsms I Casa Hunter
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