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ASCO 2020: confira as novidades apresentadas para o tratamento do câncer

Neste ano, as medidas de isolamento social em consequência da pandemia do novo coronavírus (SARS-COV-2) impactaram até mesmo o maior congresso de oncologia do mundo, realizado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco). 

Com o tema Unir e Conquistar: Acelerando o Progresso Juntos, a Asco 2020 Virtual Anual Meeting, como o nome entrega, aconteceu de forma virtual e reuniu, entre os dias 29 e 31 de maio, mais de 42 mil especialistas e seus avanços científicos no combate ao câncer.

Além de apresentar resultados para tratamentos que há tempos não viam evoluções significativas, o evento discutiu o impacto da pandemia no cenário da oncologia e destacou que o avanço da medicina na área, associado a outras terapias, caminha para a maior personalização dos tratamentos individuais e consequente aumento da qualidade de vida. Confira aqui algumas das principais novidades!

Coronavírus e o câncer

Como já era previsto, a necessidade de isolamento impactou a área da oncologia de diferentes formas. No setor científico, ensaios clínicos foram pausados e laboratórios tiveram equipe reduzidas ou portas fechadas por tempo indeterminado. Já no setor clínico, houve atraso nos diagnósticos, queda no rastreamento de tumores e embora contra-indicado, as interrupções das terapias aumentaram. 

Alguns estudos apresentados no evento confirmaram o câncer como fator de risco para a Covid-19. No total, três fatores destacaram-se no aumento do risco de morte pelo vírus entre pacientes oncológicos: ter mais 65 anos e tumor com má progressão, comorbidades - especialmente hipertensão - e comprometimento clínico ou na autonomia.

Avanços da oncologia

Apesar da crise mundial de saúde, os avanços da medicina continuam proporcionando grandes doses de esperança para o tratamento de diversos tipos de câncer. Na área ginecológica, a confirmação de que a quimioterapia menos agressiva é tão eficaz ao tratamento do câncer de mama quanto uma com maiores níveis de toxicidade é um dos destaques.

Seguindo na linha da qualidade de vida, o uso de pembrolizumabe associado a quimioterapia como tratamento de primeira linha para o câncer de mama triplo negativo metastático foi positivo em comparação à quimioterapia isolada. O estudo de fase 3 apresentou resultados de toxicidade segura e bom ganho de sobrevida. Já o câncer de mama HER2 respondeu positivamente ao uso do tucatinib, medicamento que depende de importação para uso em território nacional.

Sobre câncer de ovário, estudo apresentado no evento mostrou que o uso do olaparibe diminui a recidiva da doença em pacientes portadoras do gene BRCA, com ganho de sobrevida superior a um ano. Outros estudos também apontaram o benefício de uma segunda cirurgia em algumas pacientes recidivas do câncer de ovário, também com aumento de sobrevida.

Assessoria na importação de medicamentos e sua função no acesso a novas terapias

A oncologia obstetrícia também recebeu boas novidades. Um estudo, ainda em fase inicial, avaliou o uso do imunoterápico avelumabe no tratamento de pacientes com neoplasia trofoblástica gestacional resistentes à monoterapia, uma doença rara. Mais de 50% das pacientes responderam positivamente ao imunoterápico, o que sugere uma promissora alternativa à politerapia.

O imunoterápico também foi destaque para o tratamento do câncer de bexiga. Um estudo avaliou o uso do avelumabe como terapia de manutenção em pacientes com carcinoma urotelial avançado que não corresponderam à quimioterapia com base em platina. O tratamento resultou no aumento da sobrevida global e em pouco tempo já deve consolidar-se na área.

Um aguardado estudo aberto fase 3 em pacientes com câncer colorretal com alta instabilidade de microssatélites mostrou os benefícios do tratamento de primeira linha com pembrolizumabe versus padrão com quimioterapia. O imunoterápico dobrou a sobrevida livre de progressão em 44% dos paciente para 16 meses, resultado considerado bastante positivo. 

Importação de medicamentos é essencial para o acesso a novas terapias

A estimativa é de que o uso do osimertinibe para tratamento do câncer de pulmão com EGFR mutado em estágio avançado logo entre em prática. Um empolgante estudo mostrou a diminuição de 83% do risco de morte ou recidiva em pacientes submetidos à terapia. Ainda sobre a doença, uma pesquisa apontou que, mesmo após o desenvolvimento do câncer, parar de fumar impacta positivamente o quadro geral. Até quem fuma há muitos pode diminuir o risco de morte, especialmente se abandonou o vício vários anos antes do diagnóstico. 

A terapia hormonal para o câncer de próstata também tem diferentes avanços. O uso do fármaco relugolix pode surgir como um novo tipo de tratamento padrão para a supressão de testosterona em pacientes com câncer de próstata avançado sensível a castração. Outro estudo, brasileiro e pioneiro no assunto, mostra o potencial dos inibidores da sinalização androgênica como tratamento de primeira linha - e não apenas nas recidivas. Ainda em desenvolvimento, os resultados empolgam pela possibilidade de combater o câncer de próstata sem bloquear a testosterona.

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Fontes: Asco I Instituto do Câncer I Veja Saúde I Oncologia Brasil I Oncologia Brasil I Oncologia Brasil I Medscape I Albert Einstein

25 de Junho de 2020

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