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Medicamento para Alzheimer: Conheça a nova opção liberada na Europa

A doença de Alzheimer segue sendo um dos maiores desafios da medicina moderna. Até pouco tempo atrás, os tratamentos disponíveis se limitavam a controlar sintomas, sem alterar o curso da doença. Mas, em 2024, a União Europeia aprovou um medicamento que inaugura uma nova era: o Lecanemab, comercializado como Leqembi.

Esse fármaco é o primeiro no continente europeu a atuar diretamente sobre a progressão do Alzheimer, oferecendo benefícios clínicos significativos para pacientes em estágios iniciais. Para médicos prescritores, trata-se de um marco histórico: pela primeira vez, é possível contar com uma terapia modificadora da doença aprovada em larga escala.

Ao longo deste artigo, vamos entender como o Lecanemab funciona, quais foram os resultados clínicos, quem pode ser beneficiado e quais são os riscos associados. Também veremos o que essa aprovação representa para a prática médica global e quais são os próximos passos em termos de acesso. Boa leitura! 

Por que este é um marco nas terapias para Alzheimer?

Durante décadas, o tratamento do Alzheimer se concentrou em manejo sintomático, como os inibidores de acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) ou antagonistas de receptores NMDA (memantina). Esses medicamentos ajudam a melhorar memória e cognição, mas não interferem no acúmulo das proteínas que causam a doença.

O Lecanemab se diferencia porque pertence à categoria de anticorpos monoclonais direcionados ao beta-amiloide, proteína central na fisiopatologia do Alzheimer. Ele não apenas melhora sintomas, mas atua na eliminação das placas amiloides do cérebro, retardando a progressão clínica da doença.

Essa mudança de paradigma traz implicações enormes para médicos e pacientes: quanto mais cedo a intervenção, maior a chance de preservar funções cognitivas e independência.

O que é o Lecanemab (Leqembi) e como ele atua?

O Lecanemab é um anticorpo monoclonal humanizado que se liga seletivamente a protofibrilas de beta-amiloide solúveis, impedindo sua agregação e promovendo a depuração dessas estruturas tóxicas.

Ou seja: diferente dos medicamentos tradicionais, que atuam apenas nos sintomas, ele age diretamente sobre a causa biológica da doença nos estágios iniciais.

Saiba mais!

O mecanismo de ação

O alvo do Lecanemab são as protofibrilas de beta-amiloide solúveis, estruturas consideradas tóxicas que se acumulam no cérebro e estão fortemente associadas à progressão do Alzheimer. 

Assim, ao se ligar seletivamente a essas protofibrilas, o medicamento impede que elas se agreguem e, ao mesmo tempo, favorece a sua depuração.

Esse mecanismo, aparentemente simples, tem repercussões clínicas profundas:

  • redução da carga amiloide cerebral, comprovada por exames de imagem, como o PET scan amiloide, que mostram a diminuição visível dessas placas;
  • retardo do declínio cognitivo e funcional, pois os pacientes tratados apresentaram uma evolução mais lenta da perda de memória, linguagem e autonomia.

Por que isso é diferente?

Até então, como visto, os tratamentos disponíveis para Alzheimer tinham foco apenas em aliviar sintomas, como dificuldades de memória ou agitação, mas não mudavam o curso natural da doença. O Lecanemab inaugura uma nova era, já que atua como modificador da progressão do Alzheimer.

Por conta disso, o maior impacto clínico é justamente abrir uma janela de tratamento nos estágios iniciais do Alzheimer. Para médicos e pacientes, isso significa a chance de intervir mais cedo, preservar funções cognitivas por mais tempo e oferecer qualidade de vida em uma fase crucial da doença.

Quem pode se beneficiar? 

A aprovação do Lecanemab (Leqembi) veio acompanhada de critérios bem definidos, justamente para garantir que o medicamento seja utilizado com segurança e eficácia. Por se tratar de uma terapia inovadora, a seleção dos pacientes é uma etapa fundamental.

Pacientes indicados

O Lecanemab é indicado principalmente para pessoas que apresentam:

  • doença de Alzheimer em estágio inicial, caracterizada por comprometimento cognitivo leve ou demência leve;
  • confirmação de depósito de beta-amiloide no cérebro, obtida por meio de exames diagnósticos, como PET scan ou análise de líquido cefalorraquidiano;
  • prescrição e acompanhamento por equipe médica especializada, geralmente neurologistas ou profissionais focados em distúrbios cognitivos.

Esses requisitos ajudam a direcionar o tratamento para quem realmente pode se beneficiar, evitando o uso indiscriminado.

Restrições genéticas

Um ponto de atenção importante está relacionado à genética. Pacientes portadores do alelo APOE ε4, especialmente aqueles em homozigose (duas cópias do gene), apresentam maior risco de desenvolver ARIA, um efeito adverso associado ao tratamento, caracterizado por edemas ou micro-hemorragias cerebrais.

Por essa razão, os especialistas recomendam a realização de testagem genética antes de iniciar a terapia. Esse cuidado permite avaliar riscos individuais e tomar decisões mais seguras junto ao paciente e sua família.

Por que esses critérios importam?

Ao definir quem pode ou não receber o Lecanemab, a comunidade científica busca equilibrar os benefícios de retardar a progressão do Alzheimer com a segurança do paciente. Trata-se de uma oportunidade única para quem se enquadra nos critérios, mas que precisa ser conduzida com responsabilidade clínica.

Eficácia clínica: o que os estudos mostraram?

O estudo pivotal CLARITY-AD avaliou a eficácia e segurança do Lecanemab em mais de 1.700 pacientes durante 18 meses. Os resultados foram publicados no New England Journal of Medicine e representaram um divisor de águas:

  • redução do declínio cognitivo (em comparação ao placebo, medido pela escala CDR-SB);
  • melhora em desfechos secundários como desempenho funcional e qualidade de vida;
  • depuração significativa de placas amiloides observada em exames de imagem.

Embora não represente uma “cura”, o benefício clínico é consistente e demonstra que a intervenção precoce pode realmente mudar a trajetória da doença.

Quais são os riscos e efeitos colaterais conhecidos?

Assim como todo medicamento inovador, o Lecanemab apresenta riscos que exigem monitoramento rigoroso. Os mais relevantes são os episódios de ARIA (Amyloid-Related Imaging Abnormalities), que incluem:

  • ARIA-E: edema cerebral;
  • ARIA-H: micro-hemorragias ou depósitos de ferro.

Nos estudos clínicos, alguns pacientes apresentaram algum tipo de ARIA, sendo a maioria assintomática ou leve, identificada em exames de imagem de rotina. Casos graves foram raros, mas justificam a necessidade de acompanhamento com ressonância magnética seriada.

Outros efeitos adversos relatados incluem reações infusionais leves (febre, calafrios, dor de cabeça) e hipertensão transitória.

Para médicos, isso significa que a prescrição exige seleção criteriosa do paciente e acompanhamento próximo, especialmente nos primeiros meses de tratamento.

Qual é a disponibilidade futura e como será o acesso?

Com a aprovação na União Europeia, o Lecanemab passa a estar disponível nos sistemas de saúde do bloco, embora cada país ainda precise definir critérios de reembolso e protocolos de uso.

No Brasil, o medicamento ainda não possui registro na Anvisa. Até que isso ocorra, a única forma de acesso será por meio da importação excepcional, prevista em lei para pacientes com prescrição médica e laudo clínico.

Empresas de assessoria em importação, como a Rakho-Med, podem auxiliar nesse processo, garantindo conformidade com a regulamentação e segurança no fornecimento do medicamento.

O que essa aprovação significa para a prática médica?

A chegada do Lecanemab (Leqembi) inaugura um novo horizonte no cuidado ao paciente com Alzheimer. 

Pela primeira vez, os médicos têm à disposição uma terapia capaz de atuar diretamente sobre a fisiopatologia da doença, e não apenas sobre os sintomas. Isso muda de forma significativa a forma como a prática clínica deve ser conduzida daqui para frente.

Diagnóstico precoce como prioridade

Para que os pacientes possam se beneficiar do Lecanemab, será indispensável investir em diagnóstico precoce

Isso inclui a utilização de biomarcadores, como exames de imagem e análise de líquor, para confirmar a presença do depósito de beta-amiloide. Identificar a doença ainda em fase inicial será o ponto de partida para que o tratamento faça sentido.

Discussão aberta com pacientes e familiares

Outro aspecto essencial será o diálogo transparente. Médicos precisarão conversar com pacientes e familiares não apenas sobre os benefícios potenciais, mas também sobre os riscos envolvidos e as expectativas realistas.

Esse tipo de abordagem compartilhada permitirá decisões mais conscientes e seguras em relação ao início da terapia.

Monitoramento contínuo

O acompanhamento ao longo do tratamento também ganha destaque. Será necessário um monitoramento rigoroso para avaliar tanto a eficácia clínica, em termos de preservação da cognição e funcionalidade, quanto possíveis efeitos adversos, como os casos de ARIA já observados em alguns estudos.

Educação médica continuada

Por fim, a aprovação do Lecanemab reforça a necessidade de atualização constante dos profissionais de saúde. Novas terapias baseadas em anticorpos monoclonais estão em desenvolvimento e devem chegar nos próximos anos. Estar preparado para incorporá-las à prática clínica será fundamental para ampliar o arsenal contra o Alzheimer e oferecer aos pacientes o que há de mais moderno em tratamento.

O Lecanemab (Leqembi) é um marco na história do tratamento do Alzheimer. Ao ser aprovado na União Europeia, abre caminho para que médicos possam contar com uma opção modificadora da doença, capaz de retardar a progressão em estágios iniciais. Embora apresente riscos que exigem monitoramento, os benefícios clínicos comprovados e o avanço regulatório representam uma vitória nessa luta! 

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Autor: Rakho-Med

26 de Novembro de 2025

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